domingo, 18 de abril de 2010

Depois da tempestade...



Vamos direto ao ponto: o Botafogo mereceu o título carioca de 2010, mesmo com esse time horrível que veste sua camisa nessa temporada. O jogo de hoje foi um verdadeiro paradoxo. O Flamengo dominou o jogo. Mas o jogo foi todo comandado pelo Botafogo. A proposta de jogo elaborada pelo Joel prevaleceu. Mesmo com mais posse de bola, nosso time esbarrou na marcação alvinegra, não trabalhamos uma bola pelo chão, toda vez que Michel ou Vinicius Pacheco acertavam o drible e chegavam à linha de fundo, levantavam a bola na área, facilitando a vida dos zagueiros botafoguenses, como queria Joel. Não por acaso, nosso gol saiu em uma bola alçada na área pelo nosso camisa 80.

Quando era o rubro-negro que se defendia, mais uma vez caia na armadilha natalina. Fizemos várias faltas desnecessárias perto da nossa área, facilitando o jogo aéreo pro Louco Abreu. E demos de presente duas penalidades máximas infantis, inadmissíveis em um elenco Campeão Brasileiro.

Sobre o Adriano e o pênalti, concordo com o Andrade, o Impera tem crédito. E mais, nessas quatro finais seguidas entre Flamengo e Botafogo, esse foi o primeiro ano que a cachorrada foi a campo com um goleiro de verdade. Isso também foi determinante.

O fato é que o Joel é um cara muito sinistro. Ele já disputou oito finais de estadual, e a única que perdeu foi aquela do nosso tri em 2001, com gol espírita do PET aos 43 minutos. Ou seja, ele não é um treinador invicto simplesmente porque o nosso gringo operou um milagre contra o vice da gama. Ele como sagaz que é, tem ciência de que com esse time, o botafogo corre sério risco de ser rebaixado no brasileirão. Detalhe: A estréia dos caras é contra o Santos...

Sobre a tempestade que vive o flamengo nesse inicio de temporada, não acredito que o bonança venha na quarta. Ganhar do Caracas e se classificar para as oitavas da liberta é obrigação. A situação só vai melhorar mesmo se passarmos pras quartas de final, e com boas atuações. O detalhe é que a desculpa dos jogadores para as eliminações precoces em anos passados não existe mais. Não vai ter mais maratona de jogos. Agora é só Libertadores da América.

Saudações Rubro-Negras!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

No treino do Barcelona

Estamos no início ano de 1982. Zico, Platini e Rummenigge são as estrelas-guias do futebol mundial. Todos, à exceção de Michel que estava em vias de se transferir para a Juventus, ainda atuavam em clubes nos seus respectivos países natais. Zico, no Flamengo, Rummenigge no Bayern de Munique e Platini, no Saint-Etienne. Quem era o melhor do mundo? Qual era a melhor seleção do mundo? Sabiam sobre Zico os ingleses do Liverpool, melhores da Europa, que no ano anterior haviam levado um 'sapeca-ia-iá' rubro-negro. Mas, no mundo que existe para além do saber dos especialistas, saberiam os alemães do Bayern, que não possuiam televisão a cabo, quem era Michel e, muito menos, quem era Zico? Era preciso esperar a Copa do Mundo para que os grandes se encontrassem.
Para o bem ou para o mal, sem dúvida, em 1982, é, provavelmente, a última Copa romântica. Foi, quase que certamente, a Copa em que as estrelas dos países, atuavam, propriamente, nos seus países. Logo na seqüência Rumenigge, Zico, e o próprio Platini, todos migraram para o El Dorado do final dos anos 1980, que foi o futebol italiano (hoje, em absoluta crise). Naqueles anos na terra da Bota, desfilaram Gullit, Maradona, Platini, Laudrup e tantos outros craques. O futebol italiano, e o mundo, já não sao mais os mesmos e hoje a terra prometida do futebol mundial parece ser uma Ilha a Oeste do Velho continente, com seu supersupercampeonato: a English Premier. Lá, Fabregas, Rooney, Robinho, Tevez, Ballack desfilam sua graça e talento dentro de campo (e na televisão) a cada final de semana. E a cada final de semana o mundo, via satélite, pode deliciar-se com Rooney, ou com Niño Torres, ou com o jogador favorito de cada um. Mas é na Europa Champions League que os "grandes se encontram". Os melhores e os maiores (não há dúvida disso) jogadores estão lá. E se encontram todo ano, em Chelsea X Inter, Barça X Man. Utd, Real Madrid X Bayern. Veja você que os cinco melhores jogadores do mundo (Kaká, Messi, Xavi, Iniesta e Cristiano Ronaldo) em atividade jogam entre si, por pelo menos, duas vezes por temporada. Ou diariamente, no treino do Barcelona...
Por outro lado, a Copa já não tem o glamour de outrora. É uma competição inchada. Quase o Campeonato Carioca. Veja você o Brasil jogará com Coréia do Norte; Itália com Eslováquia e Nova Zelândia; e por aí vai... Além do que, os jogadores principais chegam à Copa estourados, depois da fatigante temporada no futebol europeu, se não é, por exemplo, o caso de Zinedine Zidane em 2002, ou de Ronaldinho Gaúcho em 2006. O pouco tempo hábil de preparação para Copa acaba proporcionando isso. Antigamente, no ano de 1982, Zico precisava ir bem na Copa para provar seu valor. Assim também Rummenigge e Platini. E jogar bem não significa apenas vencer. É verdade que muitos grandes não ganharam uma Copa do Mundo, mas jogaram bem. Stoichkov, Cruyff, Lineker, Puskas, Gazza. Ganhar não é um elemento diacrítico de forma alguma. Era preciso jogar bem e ponto. A Copa era o momento raro no futebol mundial em que "os grandes se encontravam"; em que os melhores jogadores, em suas seleções, tinham a oportunidade de estar cara-a-cara. E eles tinham tempo para treinar. Treinavam muito. A Holanda, máquina de 1974, treinou quase que incessantemente para a Copa durante três meses. Hoje a Copa é uma competição inchada, espremida no calendário europeu. O parco tempo de preparação para Copa permite que as equipes desenvolvam um fraco entrosamento e tempo inábil de recuperaçao física de atletas lesionados. Então, será ainda verdadeira a máxima de que "Para ser uma lenda no futebol mundial, é preciso jogar bem uma Copa?" Amigos, lamento informar este aforisma atualmente está absolutamente demolido. Para jogar bem no futebol mundial e se tornar uma verdadeira lenda do futebol, é preciso jogar bem o treino do Barcelona. Reservas contra titulares.

Êêêêê Freguesia!!!!!!!!!!

Mais um Flamengo e Vasco decisivo. Mais uma vitória do Flamengo. Até 2004 (se não me falha a memória...), nossas vitórias contra o Vice da Gama se concentravam nas finais. Desde então, já foram 5 encontros nas semi-finais do Carioca, e em todas o Mais Querido Prevaleceu. Deve mesmo ser muito ruim torcer pro vasquinho...

Sou obrigado a me repetir na análise da peleja. Novamente deixamos o bacalhau com mais posse de bola porque o time deles é inofensivo. Ontem com o agravante de que o Felipe Coutinho não jogou nada. É verdade que o Flamengo não jogou bem, mas novamente nossos ataques foram mais perigosos. Basta ver que o Bruno não foi obrigado a fazer uma defesa sequer ao longo do jogo.

A volta do Maldonado trouxe nova segurança à nossa zaga. No mais, mantenho as criticas que tenho feito à forma como o time vem sendo escalado, especialmente com o PET no banco. E acho que o problema do nosso meio não é o Kleberson, mas sim o Toró. E o Álvaro tem que ser barrado. O Angelim está voltando a forma, é possível sim escalar um jovem ao seu lado, acredito que pela direita tenha que ser o David.

Dito isto, devo discordar do meu amigo Jamaica. Estamos pagando o preço pelos desmandos dos nossos dirigentes. A demora em renovar com Andrade e com o Angelim, a demora na reposição das peças, a briga desnecessária com o PET, os constantes cancelamentos de treinos ao longo da semana, todos esses fatores influenciam muito na queda de rendimento do time.

Por exemplo, podemos culpar o Andrade pela Saída do Zé Roberto e do Airton? Só para marcar a diferença, o Fluminense não só manteve todas as suas peças da campanha da reta final do Brasileiro, como ainda se reforçou com o Julio César, o Leandro Euzébio, o Everton. A saída do Maicon Bolt foi o grande erro dessa diretoria tricolor no inicio do ano, e pode ter custado a eliminação precoce do carioca.

Podemos e devemos cobrar do Andrade a reconstrução do time do Flamengo, de modo que voltemos a jogar como no final do ano passado, mas precisamos dar um tempo ao tromba. Como eu falei no ultimo texto e também nesse, mudanças no time se fazem necessárias, mas o Andrade tem crédito, ano passado fez o time jogar pra frente, em velocidade, com uma defesa sólida, um time compacto. Esse ano, já vimos sinais de melhoras na nossa defesa nesse jogo contra o Vasco, e a velocidade a agressividade dos nossos contra-ataques é um sinal que deve deixar todos animados.

Claro, que tudo isso só conta se ganharmos na quarta em Santiago. Do contrário, podemos afirmar que o ano acabou para nós, e podem anotar, o Flamengo vai desmontar o time e brigar contra o rebaixamento. Mas estou tranqüilo, sei que ganharemos dos católicos chilenos.

Por fim, sensacional a nova modalidade de chororo à bacalhau. Nesse sentido, palmas para o Flor, que perdeu com um erro de arbitragem no sábado em nem por isso ficou usando desculpa para sua vergonhosa eliminação. Claro que o Cuca adorou falar sobre isso na entrevista, mas de fato não houve um movimento do clube em direção ao choro sem fim, como foi o caso dos dirigentes vascaínos.

Nova era tricolor

Fidalgos tricolores, utilizarei este espaço hoje para fazer uma série de análises que julgo pertinentes para que possamos vislumbrar um novo caminho de conquistas.

E é justamente pelas conquistas que inicio. Creio que conquistamos, a partir da arrancada histórica do ano passado que nos livrou do rebaixamento, duas coisas fundamentais: uma comunhão nunca antes vista entre time e torcida e o resgate do orgulho de ser tricolor. Mas não devemos deixar de fazer ressalvas importantes. Passamos o ano todo fugindo do rebaixamento, não ganhamos nenhum turno do carioca e perdemos a sulamericana. Em resumo: ganhamos muito e não ganhamos nada.

Os antigos e apreciadores da essência do futebol, que gozam quando escutam a palavra "fair play", soprarão suas trombetas pra dizer que a esportividade fica acima da vitória, que o título é mera consequência e não o fim em si mesmo da prática esportiva. Pra quem torce pro América ou pro Bangu isto até pode valer, mas pra mim, que torço pelo Fluminense, um dos grandes deste país, não faz nenhum sentido. Quero título, quero taça, quero vitórias convincentes contra os rivais. Quero um time botando medo, obrigando o outro a entrar na retranca e se impondo como um rolo compressor. Quero que os milhões que a UNIMED investe todo ano sejam convertidos em estrelas na camisa.

Acho que nós, tricolores, deveríamos sepultar os guerreiros do ano passado, que apesar de vitórias e honras, terminaram a batalha sem nenhum território conquistado, sem nenhum troféu. Não que eu desconsidere seu empenho no campo de batalha e a entrega pela causa, nada disso. Não sou louco nem ingrato. Apenas acho que a batalha do ano passado foi para escapar da segundona, para evitar aposentar a espada e virar chacota na trincheira. Precisamos forjar a ferro e fogo novos combatentes que, principalmente, se julguem aptos a voltar pra casa de cabeça erguida, não por terem fugido da forca, mas por terem subjugado todos os seus adversários. Sinceramente, a alcunha de "Guerreios" não cola mais.

Neste campeonato carioca miserável, perdemos pra times ridículos como Botafogo e Vasco, que foram derrotados por Santa Cruz (4ªdivisão) e Americano, ambos em casa. Fomos atropelados pelo Flamengo, mesmo estando ganhando de 3x1, tomamos três do time dos Templários (que camisa é essa???) e, por fim, fomos eliminados pela tática inglesa do chuveirinho do Joel. Nossa única vitória foi contra este mesmo Botafogo e, mesmo assim, sem valer nada. É muito pouco para um time que almeja ter grandes pretensões no cenário nacional e internacional.

Nosso elenco, apesar de mantido do ano passado, tem sérias limitações. Na lateral esquerda, contratamos o Júlio César que arrebentou no ano passado pelo Goiás e que ainda não estreiou pelo Fluminense. O Cuca continua improvisando o Marquinho no lugar dele, igualzinho como fazia antes de sua chegada, ou seja, não mudou nada. E olha que jogamos com três zagueiros para que os alas tenham liberdade. Não temos um reserva que seja lateral de ofício. Da mesma maneira na direita. Não temos reserva pro Mariano. No meio, sem o Conca ficamos acéfalos. E, cá entre nós, não vem jogando nada já faz umas cinco partidas. Se eu fosse o Maradona, não convocaria também. O cara, pra não marcar ninguém, tem que ser craque, diferenciado. Não é o caso do hermano que, quando marcado em cima, desaparece do jogo.

Na frente, mais problemas. Alan se recusa a jogar pelas laterais e cisma em embolar pelo meio com o Fred que ao invés de ser servido, como era muito bem pelo Maicon, passou a ter que servir. Além do mais, o garoto não tem a tranquilidade do matador na frente do gol e quase sempre finaliza de forma precipitada ou sem capricho. Wellington Silva, apesar de diferenciado, ainda não aprendeu a soltar a bola e jogar coletivamente. Periga ser mais um na estatística dos que vão pra Europa e se estrepam. Lá, jogando desta forma individualista, rapidinho esquenta o banco. Se for verdade a chegada do Araújo, creio que vamos melhorar muito, pois lembro de sua velocidade e destreza nos tempos de Goiás, ocupando justamente o vácuo deixado pelo Maicon. Da mesma maneira com o Tinga que, também se vier, vai dar uma maior celeridade ao meio campo onde, justiça seja feita, Diguinho e Éverton vão muito bem.

Enfim, precisamos de reforços. Mais ainda, precisamos inaugurar uma nova era tricolor. Chega de quase, chega de honras ao mérito. É hora de título.

Se Cuida, tromba!

Nota: o texto foi enviado antes do jogo contra o Vasco. No entanto, Thomaz e Sophia só me permitiram o acesso a internet hoje. Mais uma coisa: A rede aqui está um lixo e não deu pra adicionar a imagem do Andrade. Acho que vocês podem imaginar...

Por André jamaica.

Ninguém pode dizer que leu um texto meu, neste blog, falando bem do Andrade como treinador. A verdade é que ele assumiu o time porque emocionou torcedores e imprensa com aquele choro sincero depois da vitória do Flamengo sobre o Santos na Vila Belmiro pelo Brasileirão do ano passado, dedicando a vitória ao amigo Zé Carlos, ex- goleiro e recém falecido.

Três fatores foram fundamentais para o Hexacampeonato: A chegada do Álvaro que, reorganizou a zaga depois da aposentadoria do Fábio Luciano; A chegada de Maldonado que organizou o combate no meio- campo e melhorou o passe na saída de bola e Pet que, numa agradável surpresa, jogou o fino na reta final do campeonato.

Falo essas coisas porque eu, junto com meus pares rubro- negros, já vaiamos e chamamos o Andrade de BURRO no Maracanã, quendo ele assumiu o Flamengo por 12 jogos depois da demissão de Celso Roth, em 2005.
Andrade era conhecido, entre os torcedores, como um técnico que escalava mal e substituia pior ainda.

Pois é, mediante a isto, alguém pode me explicar por quê diante da necessidade de vitória na competição mais importante do ano, jogando em casa, o Andrade escala um atacante?

Alguém pode me explicar por quê Andrade inscreveu apenas 3 atacantes para a Libertadores?

Alguém pode me explicar por quê o Andrade mantem o Kleberson como titular do time?

Alguém pode me explicar por quê o Andrade se aliou ao Marcos Bráz nesta tentativa de enterrar o Pet vivo?

Sinceramente? Acho que o Andrade tem pouquíssimo futuro como treinador longe da Gávea. Lá, ele está coberto pela sua belíssima história no clube, como excelente jogador e, parte da geração mais vencedora do Flamengo. Longe da Gávea, ele é mais um treinador e, na minha modesta opinião, bem fraquinho.

O Flamengo corre sério risco de promover um fiasco " daqueles" neste primeiro semestre. Ficar fora das finais do Estadual e ser eliminado na primeira fase da Libertadores seria de amargar.