quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Melhorar muito pra ficar mais ou menos...

Fidalgos tricolores, após estar nos principais salões nobres carnavalescos desta terra de São Sebastião me encaminhei para o Mário Filho, nesta quarta, na esperança de ganhar mais um dia de esbórnia. Com apenas 1 minuto de jogo Thiago Neves me fez crer que a folia ia ser completa, que o bloco tricolor iria atropelar os cachorros que estivessem pelo caminho. Mas ele, de cara pro gol, desafinou e acabou sumindo durante os outros 89 minutos. Me parece que a Alemanha mexeu com seu ritmo, padronizou seu talento e, o mais importante, acrescentou novos ingredientes à sua dieta. Strudels e apfelstrudels andam fazendo diferença na sua perna esquerda, disso não tenho dúvida. Mas não tem problema: assim que devolverem as malas dele extraviadas do Hamburgo, onde estavam guardadas todas as suas habilidades, ele rensace. Aguardemos.



Renè Simões deve estar desconsolado. Eu mesmo já chamei ele aqui de burro mas como estou sempre em constante reflexão dialética, reorganizo minhas idéias. Tenho convicção de que nem mesmo se o time todo tivesse assistido aos treinos secretos do Botafogo e ouvido a preleção do Nei Franco teria feito algo diferente. É uma espécie de analfabetismo funcional da bola. Eles compreendem que ela redonda e que o gol é o objetivo, mas desconhecem os caminhos pra chegar até lá e tem extrema dificuldade de interpretar os lances cruciais. Sabem usar a caneta mas não sabem construir um texto, um conjunto organizado de idéias. Seus chutões constantes e sem direção impedem que as letras se juntem e formem a palavra fundamental: gol. Após o jogo, Fernando Henrique disse que aconteceu exatamente o que o Renè tinha falado que ia acontecer. Aí eu me pergunto: o que fazer quando você mostra tudo que vai acontecer e o sujeito, fazendo sinal de positivo com a cabeça enquanto você fala, entra em campo e já não se lembra mais nem se amarrou a chuteira? Acho que os jogadores do tricolor vieram das escolas municipais ainda em época de aprovação automática: chegaram aos profissionais sem saber ler e escrever. E pra isso, Celso Barros, não tem remédio.


Sobrou ração

É impressionante como a torcida do Botafogo não aparece nunca no maracanã. As arquibancadas amarelas estavam às moscas e a verde sequer fechava.


Fim dos tempos

O que esperar de um time em que o Roger entra no Lugar do leandro Amaral como a grande esperança de gol?

Num Fred (trocadilho fidalgo)

Quando ele chegar, se ele chegar, vai ser um alento.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Jamaica abaixo de zero


O Jamaica resolveu aderir à promessa do goleiro Bruno e prometeu não cortar o cabelo até o Flamengo se tornar campeão brasileiro ou ganhar algum título de expressão. Fiz uma projeção sua, aos 93 anos.
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Perdoem-me, fidalgos tricolores, pelo linguajar raivoso e sentido de nossos filhos. O animal acuado, sabendo que corre o risco de ser eliminado, ataca instintivamente, sem raciocinar. Entendam, não é culpa dele. Relevem o desespero e a insanidade de alguém que acredita que um time com Josiel, Obina e Zé Roberto pode ser campeão brasileiro. Um sujeito desse deve acreditar que, um dia, o Bush pode virar um intelectual ou que a Heloísa Helena pode se filiar ao DEM. Isso me dá motivos suficientes para crer que, aos 37 anos, ele ainda deve escrever carta pro Papai Noel e procurar, saltitante e serelepe, os ovinhos de páscoa escondidos pelo coelhinho que ele nunca achou. Nem nunca vai achar. Assim como o brasileiro nunca vai chegar. Não serei eu que contarei a verdade e estragarei sua alegria, longe de mim uma atitude dessa. Pra algumas pessoas, a ignorância é uma bênção.

Ainda que um dia grandes, há muito tempo atrás, eles vivem na esquizofrenia aguda de um passado outrora glorioso. Ser Flamengo é o que podemos dizer de uma pessoa que sofre de uma síndrome de Peter Pan futebolística, uma espécie de adulto que se recusa a crescer e vive eternamente no estádio da Terra do Nunca. Na boca de um flamenguista, "brasileiro é obrigação" deve ser entendido da mesma maneira que um "abaixo o capitalismo", "todo apoio aos povos da floresta" ou, "salvem as baleias": até gostariam que acontecesse, mas têm certeza que morrerão vendo os bancos lucrarem cada vez mais, os índios virarem adubo e as baleias servirem de entrada para os jantares chineses. O meu medo é começarem a amarrar bombas nas cinturas com a certeza de rumar para o paraíso, ou juntar todas as economias e dar de bandeja ao Bispo Macedo, só pra se livrar do encosto que faz beber e fumar, que acaba com sua vida financeira e sentimental. Eu tenho medo!

Pra minha tristeza, meu amigo jamaicano parece se respaldar nos números e datas para argumentar. Deve estar fazendo escola com o PVC ou o Mílton Neves e, daqui a pouco, vai relembrar o inesquecível time da Ferroviária de 36. Em tempos de supremacia do lado mercantil, ele se torna instrumento, sem perceber que, o que resgato, é a emoção do comentário, o sentimento do torcedor, com bom humor e ironia, sem nenhuma intenção de isenção ou neutralidade. Não se lê mais nada nos jornais sem que seja sobre contratos, esquemas, transações, datas e tantas outras coisas que qualquer burocrata com tempo pode se tornar doutor em dias. Meu amigo, deixe de lado o livro de estatísticas que você ganhou e deixe de ser um especialista em números, pois os matemáticos são sempre ignorantes. Samba e burocracia não combinam. Espero, com grande ansiedade, uma crônica sua de amor ao seu time. Até agora, só temos frieza, raiva e insanidade. E eu entendo: deve ser difícil acreditar em algo que sabemos que nunca vai se realizar...

Tem maluco pra tudo!


Tenho medo de algumas coisas na vida. De maluco, por exemplo. Maluco é aquele que enquanto você está dormindo, pode jogar água fervendo no seu ouvido, jogar gasolina e riscar o palito, essas coisas. Morro de medo.


Só duas coisas podem explicar um texto como " Flamenguistas em pânico". Uma delas é achar que o Sr. Rogério Garcia Cappelli está maluco. E com maluco a gente não discute. Concorda, encerra o assunto porque ele pode jogar uma pedra na gente. E todo psquiatra recomenda não contrariar.


A outra, que me parece mais próxima da verdade, explica esse texto como a personificação da mediocridade tricolor. Os caras ficam ' excitadinhos' com a possibilidade de encarar o Flamengo numa semifinal de Taça Guanabara do Campeonato Carioca. Possibilidade? Semifinal? Taça Guanabara? Campeonato Carioca?


Apenas nesta década, o rubro- negro foi campeão regional 5 vezes. A gente tá de saco cheio. Chega de ganhar este campeonato! Ano passado iniciamos a campanha " Brasileiro é obrigação!" porque queremos conquistas condizentes com a grandeza do clube mais popular do país do futebol. Nos incomoda profundamente não ganharmos esse título há 16 anos. Queremos ser campeões da Libertadores novamente. Queremos ser Campeões do Mundo novamente.

E já escrevi em outro texto, neste mesmo blog: Para o Flamengo, Campeonato Carioca é preparação pro Brasileiro. Tá incluso na pré- temporada.


O Fluminense tem 1 título brasileiro. 1 conquista tem também Guarani, Bahia, Atlético Paranaense, Coritiba...

Em âmbito nacional o Tricolor se equivale a essas equipes. Alguém já viu torcedor do Fluminense reclamado que não ganha o Brasileiro há 24 anos? Pois é. Não reclamam porque a ambição é do tamanho da grandeza do clube. Eles se dão por satisfeitos em vencer o Flamengo numa semifinal de Taça Guanabara...


Só pra encher o saco: O Flamengo tem quatro dos cinco maiores públicos da história do Brasileirão. Não tem apenas o terceiro maior que é Fluminense e Corinthians , no Maracanã, em 1976. E sabem como esse jogo é conhecido? " A Invasão Corinthiana." Ê micão!


Sobre este dia, disse Nelson Rodrigues: " A coisa era terrível. Nunca uma torcida invadiu outro estado com tamanha euforia. Um turista que, por aqui passasse, havia de anotar no seu caderninho: ' O Rio é uma cidade ocupada!" " Houve um momento em que me senti um estrangeiro na doce terra carioca"


Nós, rubro- negros, nos orgulhamos de unir o futebol carioca. São todos contra nós. Unidos. De mãos dadas. A famosa torcida Arco- Íris. Sentem mais prazer com a derrota do noso clube do que com a vitória do clube deles. Adoramos essa responsabilidade. E não abrimos mão de sermos protagonistas. Quando o Flamengo perde, é o vilão que se deu mal. Quando vence, é o herói que teve o final feliz. O restante ganha no máximo, um Oscar de ' Melhor ator coadjuvante..."


PS: Fala Josh! Sua presença é certeza de uma discussão em nível melhor do que a que está sendo proposta por aqui.


PS1: Não mais responderei aos ataques gratuitos e chiliquentos. Esse negócio de " passional" só podia ser coisa de tricolor.


Brasileiro é obrigação!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Estréia, Clássico, Lei Áurea...

Camaradas Rubro Negros, e fregueses de sempre. Finalmente chegou a hora da minha primeira contribuição a esse blog de elite. Meu atraso se deve a uma mudança que deu muito trabalho, e me custou uma semana sem internet, além de um profundo desânimo com o mais querido do Brasil, especialmente após 2008, muitas expectativas, igual número de frustrações.

Em minha defesa vale lembrar que o campeonato carioca também não ajuda. Tapetão, erros de arbitragem para todos os gostos e uma incontestável hegemonia do Pentacampeão, com seis títulos nos últimos dez anos, 4 tricampeonatos e os 30 títulos igualando o pó de arroz (que sabidamente disputou muito mais vezes o Estadual) levam muitos rubro-negros ao cansaço com esse campeonato que sempre para na Gávea.

Vamos ao ponto. Assisti ao jogo de hoje nas arquibancadas brancas, bem no meio de campo, porque fui ao maraca com minha namorada, botafoguense, típico caso de sorte no amor e azar no jogo. Dizem que é o melhor lugar do estádio para assistir ao jogo, e na verdade eu não gostei do que vi. Especialmente porque o clássico confirmou minha discordância com relação ao apelido que o amigo Jamaica colou no Cuca: O exorcista.

O Flamengo de Cuca mantém os mesmo vícios que o Nei Franco trouxe em 2006 ainda. Um atacante só, muitos volantes, dependência dos alas. O pior é que hoje sequer tínhamos a maior virtude, o Juan, e por mais que o Egídio seja esforçado, ele é no máximo nota 6. Pela direita, nosso moicano insiste em cortar bolas para o meio, em enfeitar suas boas arrancadas com inúteis dribles de letra. Não acertou nenhum dos poucos cruzamentos que deu hoje. Nosso jogador que mais atacou (sic) pelo lado direito foi o Willians, que também errou tudo. E mesmo com tantos volantes, tomamos um gol ridículo, numa tabela em que os chorões do botafogo não foram incomodados. E poderiam ter sido mais gols se eles não fossem tão incompetentes.

Jonatas pode funcionar de meia se alguém convencê-lo de que é possível tocar a bola sem ser de três dedos, ou de trivela, ou passe de 50 metros. Quando simplificou, especialmente nos chutes, foi o mais perigoso. Barack Obina está totalmente perdido com a crise econômica, o pênalti perdido foi só o detalhe final de uma partida lamentável. Por fim, para fechar as reclamações, Zé Roberto. Nosso camisa 51 uma boa idéia está longe de ser aquele jogador participativo, que incomodava as defesas, com movimentação constante e imprevisível, que o fez ser vendido para a Alemanha. Também pudera, ele está jogando de segundo atacante, de costas para o gol, não consegue nem armar as jogadas nem encostar no Obina para que pelo menos uma tabela saia. Cuca está cometendo o mesmo erro de todos os treinadores do Flamengo, primeiro com o Renato Augusto, depois com Marcelinho Paraíba.

De positivo, Fábio Luciano, absoluto. Ibson, novamente o motorzinho do nosso meio campo. Bruno, que acerta tudo nas saídas de bola, deu até pena do Renan e seus chutões sempre no peito ou na cabeça de algum jogador do mais querido. Josiel, com presença de área, coisa que o Obina não tem nem nunca teve, incomodou a defesa alvinegra e marcou o gol de empate. O melhor do jogo foi ver o Mengão, como sempre, ser ofensivo e não desistir de buscar o empate, mesmo mal escalado mais uma vez.

Esse ímpeto ofensivo, nosso elenco com várias opções, a força da torcida, enfim, os ingredientes que nos levaram a essa campanha invicta podem ser suficientes para ganhar o PENTATRI do carioca. Mas certamente não serão para uma campanha que nos leve de volta ao topo do Brasileirão, com o tão sonhado Hexa. O Flamengo continua um time previsível, fácil de se marcar, com pouca movimentação. Nossa defesa continua exposta, mesmo com tantos volantes. E o time continua se perdendo em vários momentos do jogo. Ou alguém acha mesmo que dá pra chamar a investida do Léo Moura pela ponta esquerda e do Fábio Luciano como meia, ainda no primeiro tempo, de elemento surpresa?

Por fim, voltando ao exorcismo jamaicano, acho que podemos ficar com uma metáfora boas para os historiadores, pelo que eu vejo profissão dominante nesse blog. Nós sabemos que por mais que a Lei Áurea tenha abolido legalmente a escravidão no Brasil em 1888, levaram-se muitos anos para que essa forma de exploração tenha sido superada na prática, e mesmo assim seguimos até aos dias de hoje lutando contra vestígios desse tipo de dominação. Acredito que o Cuca assinou a Lei Áurea que vai nos libertar do 3-6-1 que nos persegue desde Nei Franco, passando por Joel Santana e Caio Jr, porém a adesão ao clássico e básico 4-4-2, com pelo menos um meia ofensivo ainda levará algum tempo, quem sabe até que a próxima janela de transferência nos leve pelo menos um dos alas?

Brasileiro É Obrigação.

Josué Medeiros

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Flamenguistas em pânico

Fidalgos tricolores, nossos rebentos estão desesperados. Somente a possibilidade de classificação de nosso esquadrão tricolor já vem tirando o sono outrora tranquilo de rubro-negros, que encostavam a cabeça no travesseiro aliviados com nossa suposta eliminação precoce. Sonhavam tranquilos com mais uma conquista certa diante de chororôs e vices e agora se deparam com o pesadelo de enfrentarem seus criadores, de relembrarem o gol de barriga de Renato Gaúcho e o tiro fatal de Assis, que calaram uma massa inteira de incrédulos flamenguistas no Maracanã. É impressionante perceber o semblante preocupado deles, ressabiados com a possibilidade real de encararem mais um FLA X FLU decisivo. A prepotência característica some, a certeza desaparece, a humildade, por incrível que pareça, aflora como se fosse uma característica inata de sua formação. Nenhum, repito, nenhum flamenguista que encontro, seja na padaria, na rua, no trabalho ou no Alasca, ousa afirmar que a vitória é certa contra o Fluminense. Ficam ressabiados, com um pé atrás, econômicos nas apostas e, por dentro, temerosos com a possibilidade do confronto. No domingo, estarão com os rádios e TVs ligadas no nosso jogo, secando desesperadamente nossos jogadores, para que não sejamos uma ameaça concreta contra suas aspirações. Na beira do gramado, o Cuca vai receber informações a cada minuto e não irá me causar surpresa alguma que modifique o time de acordo com nossa colocação, deixando um possível confronto só para a final. Eles sentem medo, viram crianças indefesas diante do inevitável encontro com seus superiores. Todos que eu encontro torcem para não dar de cara com as três cores que traduzem tradição do outro lado da arquibancada. Os que fumam estão fumando mais, os que fazem dieta estão engordando e os que tem tranquilidade na família estão brigando com a mulher e deixando os filhos de castigo. Os que gostam de carnaval estão preocupados com o fato de a quarta-feira de cinzas ser antecipada para o domingo. Estão de boca seca e com o estômago doendo de nervosismo, pois já conseguem imaginar e sentir a derrota em suas almas. Não se iludam: se soltarem fogos no domingo não terá nada a ver com sua classificação para as semi-finais e sim com a eliminação do Fluminense, que deixará de ser um espectro nefasto nas suas intenções de júbilo total. Eles estão em pânico.